Comissão denuncia formação de cartel no preço da carne

por Igor_Cruz — publicado 02/12/2015 16h14, última modificação 02/12/2015 16h14
Segundo parlamentares a situação prejudica o agronegócio em Rondônia CPI deve ser criada...

 

A Comissão de Agropecuária e Política Rural (CAPR), presidida pelo deputado Lazinho da Fetagro (PT) e com a presença dos deputados Adelino Follador (DEM) e Ribamar Araújo (PT) se reuniu na manhã desta quarta-feira (2) onde para debater a questão da diferença do preço da arroba do boi de Rondônia para outros estados.

O deputado Adelino Follador voltou a cobrar na comissão que a diferença no preço da arroba de gado entre Rondônia e São Paulo, por exemplo, que em janeiro de 2015 era de apenas 6,99%, chegou ao fim de novembro a 17,45%. (ver tabela em anexo com o comparativo entre São Paulo, Rondônia, Mato Grosso e Pará).

Adelino também apresentou um demonstrativo de como o Estado perde com esta redução no preço da arroba do boi. Segundo ele, em 2014 foram abatidas 2.174.772 cabeças. Se for tomado como parâmetro a média de 14 arrobas por cabeça e uma diferença de R$ 15 por animal, tem-se uma arrecadação de R$ 456.700.000,00 ou R$ 38 milhões mensais que os produtores deixam de receber e que é um dinheiro que não circula no Estado e que vai parar no bolso dos frigoríficos, especialmente o JBS.

Para se ter uma ideia, também com números de 2014, a JBS Friboi abateu 47,38% do total (1.030.514 cabeças), o Frigon 13,56% (295 mil), o Marfrig 245.049 (11,26%), o frigorífico Tangará 138.472 (6,36%) e o Minerva 132.436 cabeças, ou 6,08%. Demais totalizaram 196.480 cabeças ou 9% do total de abates.

Adelino disse que “enquanto que em outros estados o preço da arroba melhora em Rondônia o preço reduz. Daqui a pouco vamos deixar de ser produtor de gado para abate para ser exportador de bezerro, pois o preço está compensando, mas com isso vamos acabar com os empregos em Rondônia e diminuir a arrecadação”.

Pelos motivos apresentados, Follador reforçou a reunião agendada entre a CAPR e os frigoríficos, para o dia 9 próximo, onde espera que os convidados compareçam e esclareçam esta situação para os pecuaristas de Rondônia.

O deputado Ribamar Araújo concordou com o parlamentar e disse que aguardará o dia 9 e se os frigoríficos não comparecerem “vamos pedir a realização de uma CPI, pois as evidências indicam uma cartelização dos frigoríficos. Desta forma iremos corrigir estas distorções”.

Para Ribamar, esta situação prejudica a todos os pecuaristas, seja o grande quanto o pequeno, e prejudica ainda mais o consumidor, que paga caro pela carne, mas quem acaba ganhando é sempre o grande frigorífico, que explora o produtor pagando um preço mínimo.

Lazinho disse que será estudada a criação desta CPI e que a cadeia produtiva do leite também sofre com o mesmo problema. Lembrou que os frigoríficos recebem incentivos fiscais (com o Estado deixando de arrecadar uma grande soma), além de financiamento do Bndes e acabam por abrir e fechar as portas quando bem entendem. ”Muitas vezes acabam por não honrar os empréstimos efetuados”.

Adelino pediu e teve atendido o encaminhamento junto a Sefin (Secretaria de Estado das Finanças) de um estudo no sentido de mostrar o quanto os frigoríficos deixaram de arrecadar com a isenção dos impostos, pois segundo o titular da pasta, a isenção chega a média a 85% do ICMS devido.

 

ALE/RO - DECOM - [Geovani Berno]

Foto: Ana Célia



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